Por B.F. Hasckel | Romance & Cinema
Se você leu ALFWIN e pensou "que nome lindo", saiba: não foi por acaso. Eu não escolho nome porque soa bonito. Eu escolho pela raiz. Porque num mundo de fantasia, nome não é enfeite. É destino.
1. ALFWIN não é um nome inventado. É anglo-saxão puro.
Vem de Ælfwine: ælf = elfo + wine = amigo. "Amigo dos Elfos". É um nome real que existiu na Inglaterra há 1.200 anos. Quando você pronuncia ALFWIN, você está falando inglês antigo. Eu não inventei um título, eu resgatei um feitiço.
2. Meus elfos não têm nomes fofos por acaso.
Nomes élficos em ALFWIN terminam em sons abertos (-iel, -wen, -dor) porque eu construí a língua deles em cima do finlandês e do galês. Sons suaves = povo antigo, que vive muito. Sons travados = humanos, que vivem rápido. Você sente isso sem eu precisar explicar.
3. Vilões têm consoantes duras.
Repara: meus antagonistas têm K, G, R forte. Isso é filologia sonora. O cérebro humano associa sons guturais a perigo. É por isso que nomes como Grendel ou Mordor assustam. Meus vilões seguem a mesma regra ancestral.
4. Os nomes humanos vêm de profissões medievais.
Igual no nosso mundo: Smith (ferreiro), Fletcher (flecheiro). Em ALFWIN, um personagem chamado por seu ofício carrega a história da família no nome. É detalhe que ninguém vê na primeira leitura, mas que deixa o mundo redondo.
5. Eu criei um sistema de apelidos 100% histórico.
Na Idade Média, você não tinha sobrenome, você era "Filho de...". Em ALFWIN, o "son" / "dottir" que aparece em alguns clãs é a mesma lógica viking que deu origem a Johnson, Ericson. Filologia viva dentro da história.
6. Cada reino fala com sotaque etimológico diferente.
O norte usa nomes com W e Y (influência nórdica), o sul usa nomes com A e O aberto (influência latina). Quando o leitor viaja de um reino pro outro, ele sente a mudança linguística. É como sair de São Paulo e chegar na Bahia. As palavras mudam.
7. O nome que eu mais sofri pra escolher foi ELDRED.
Eldred não nasceu bonito. Nasceu pesado.
Eu queria um nome que carregasse o peso de alguém que já viveu demais e aconselhou demais. Não um herói jovem de espada brilhante. Um conselheiro cansado, que já viu reinos caírem.
Fiquei semanas presa no dicionário de inglês antigo até achar duas raízes que não me largavam: eald = velho, antigo, aquele que permanece, que sobreviveu + ræd = conselho, sabedoria, aquele que orienta.
Eldred é literalmente "O Velho Conselho". "Aquele Cuja Sabedoria Vem da Idade".
Quando escrevi a primeira cena dele, entendi tudo: ele não precisava de espada. O nome dele já era a arma. Quem carrega "conselho antigo" no próprio nome não precisa gritar para ser ouvido. As pessoas se calam para escutar.
Ele é a prova de que eu não crio personagens. Eu escavo nomes antigos até eles me contarem quem são.
8. O feitiço mais poderoso de ALFWIN é só uma palavra antiga.
Sem spoiler, mas o feitiço que a protagonista usa no livro 3 é uma palavra em inglês antigo que significa literalmente "lembrar". Porque pra mim, a magia mais forte nunca foi soltar fogo. Foi não esquecer quem você é, mesmo quando o mundo inteiro tenta te fazer esquecer.
9. Por que 907 páginas e um volume único?
Prisma. Do grego prisma = algo serrado, que refrata a luz. Juntei os 4 livros num prisma porque a história toda é sobre a mesma luz contada de 4 ângulos diferentes. O título do volume único também é filologia. Nada aqui é por acaso.
10. Seu nome também é um feitiço?
Desde que comecei a estudar filologia, nunca mais olhei pro meu nome do mesmo jeito. Bruna vem de brun = marrom, cor da terra, da proteção, do que é firme. E o seu? Me conta nos comentários qual nome de ALFWIN você mais ama que eu te respondo a origem filológica dele no próximo post da Biblioteca Hasckel.
Com amor e dicionários,
B.F.