O que ninguém te conta sobre ser escritora (e eu gostaria de ter sabido antes)

Tem uma coisa que quase ninguém fala sobre ser escritora: não começa com glamour, começa com silêncio.

O silêncio de quando você escreve algo e não sabe se aquilo é bom… ou só é seu.

O silêncio de quando você imagina mundos inteiros, mas ainda não tem leitores para habitá-los.

E o silêncio mais curioso de todos: aquele em que você começa a perceber que escrever não é só criar histórias — é se transformar nelas.

Eu demorei para entender isso.

No começo, eu achava que ser escritora era sobre inspiração. Aquela coisa quase mística, romântica, de sentar e as palavras simplesmente descerem como se o universo estivesse generoso naquele dia. Mas a verdade é bem menos poética e, ao mesmo tempo, muito mais poderosa: escrever é compromisso. Mesmo quando a inspiração não aparece. Principalmente quando ela não aparece.

A parte que ninguém posta nas redes

Ninguém te conta que existir como escritora também significa lidar com dúvida constante.

Você escreve uma cena e pensa: “isso é profundo ou só confuso?”

Você cria um personagem e se pergunta: “alguém vai sentir isso… ou só eu?”

E tem dias em que você abre um texto antigo e não reconhece mais a pessoa que escreveu aquilo — como se tivesse sido outra versão sua tentando sobreviver em palavras.

Mas talvez seja exatamente isso que ninguém te conta: você nunca escreve sozinha. Você escreve versões de você mesma.

A expectativa vs. a realidade

Antes de começar, muita gente imagina que escrever é liberdade total. E é, mas não da forma leve que parece.

Existe uma liberdade estranha na escrita:

a liberdade de encarar tudo o que você sente sem filtro.

E isso inclui inseguranças, memórias, desejos, dores e sonhos que você nem sempre sabia que carregava.

A realidade é que escrever te torna mais sensível ao mundo — e isso não é sempre confortável.

Você começa a reparar em tudo. Em diálogos, olhares, pausas, gestos. E de repente o mundo inteiro vira material de narrativa. Até aquilo que você queria esquecer.

A solidão que constrói

Ser escritora também pode ser solitário.

Mas é uma solidão diferente — não é vazio, é incubação.

É o tipo de solidão em que ideias amadurecem sem pressa. Em que personagens começam a respirar dentro de você antes mesmo de existirem no papel.

E, aos poucos, você percebe algo importante: não é que você está sozinha. É que você está criando.

O momento em que tudo muda

Em algum ponto, você para de perguntar se é boa o suficiente.

E começa a perguntar algo muito mais interessante: “o que eu quero fazer o leitor sentir?”

Esse é o ponto de virada.

Porque escrever deixa de ser sobre aprovação e começa a ser sobre impacto.

Você entende que uma história não precisa ser perfeita — precisa ser viva. Precisa deixar rastros. Precisa ficar ecoando depois da última frase.

O que eu gostaria de ter sabido antes

Eu gostaria de ter sabido que:

bloqueio criativo não é fim, é pausa de maturação

insegurança não significa incapacidade

comparar minha escrita com a dos outros rouba minha voz

e que a minha maior força sempre esteve naquilo que eu achava “simples demais”

Mas principalmente… eu gostaria de ter sabido que escrever não é um destino.

É um jeito de existir.

E no fim

Ser escritora não é sobre ter todas as respostas.

É sobre aprender a conviver com perguntas bonitas demais para serem ignoradas.

E continuar escrevendo mesmo assim.

Porque em algum lugar entre uma frase e outra…

você encontra você.

B.F.Hasckel

Natural de Bragança Paulista, São Paulo. Nasceu em 1989. Fã de histórias desde pequena, que ama criar as suas próprias.

Foi na época dos filmes de Harry Potter, que iniciou a escrita com fanfics.

E não apenas fã de J.k Rowling como também de J.R.R. Tolkien, C.S. Lewis e Anne Rice.

E foi seguindo todas essas mentes brilhantes, que pude entender como é criar o próprio mundo literário.

https://www.bfhasckel.org
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